O Som do Silêncio.
Sou feita de Som. Sou feita de Silêncio.
Sou feita de cada nota musical e de todo um compasso que compõe a mais bonita sinfonia — a Vida.
Faz-me sentido que a Vida tenha registado o seu “início” pela vibração do Som Om. Esse som primordial que deu origem a sete outros sons, que por sua vez se subdividiram em 12 outros sons.
Cresci a ouvir o meu Pai a cantarolar e a emitir sons, aparentemente de forma aleatória.
Um dia perguntei-lhe porque emitia esses sons, em vez de cantar uma música conhecida — na minha inocência de criança pensei que poderia acompanhá-lo e cantávamos os dois. :)
O meu Pai explicou que quando ia para o monte guardar o gado, gostava de escutar o vento. Então, emitir sons e cantarolar de forma natural e espontânea fazia com que se sentisse parte do vento e de toda aquela natureza da montanha. Acrescentou, ainda, que já o meu Avô gostava de cantarolar.
A verdade é que, também eu, sempre gostei de cantar. No álbum de família, apareço muitas vezes a cantar e a dançar. Numa fotografia estou a cantar com um morango na mão a fazer de microfone. Imagina a minha diversão. :)
Recordo que na adolescência, num retiro de jovens no Mosteiro de Singeverga, enquanto passeava pelo jardim, escutei um som muito bonito vindo da igreja. Eram 16h. Entrei. Os monges estavam sentados à volta do altar. Todos eles cantavam. Sentei-me no primeiro banco. Escutei toda aquela oração de coração recetivo e disponível. Não entendi o que eles diziam. Imagino que cantassem em latim. Mas a verdade é que aquela vibração fez-me sentir serena e, pela primeira vez, senti “Sou feita de Som. Sou vibração.”
Desde então, gosto de abraçar a Vida nos voos e nas quedas, tal como a partitura de uma música, com compassos, escalas, harmonias e ritmos. Quem iria querer ouvir a música se fosse toda igual?
Acredito que a música só se torna realmente vibrante quando há altos e baixos. Tal como na Vida — há momentos de Som mais grave. Há momentos de Som mais agudo. Há momentos de Silêncio. E os momentos mais baixos são necessários para voltar a subir o tom.
Ao longo da vida, aprendi a escutar o Som do Silêncio. Sim, o som nasce no silêncio. Um silêncio que nos sintoniza com a nossa Alma, com aquela nota primordial, e que restabelece a harmonia em todas as nossas estruturas internas.
Hoje em dia, e tal como o meu Pai e Avô, costumo cantarolar e emitir sons de forma natural e espontânea. A partir daí, sinto-me serena, em harmonia, em plena união com o som Om. Sinto-me una a tudo e a todos.
Os praticantes de ioga gostam de entoar Mantras e sintonizam-se com a respetiva vibração. Existem sons específicos para cada um dos sete principais chacras. Na verdade, os praticantes de ioga estão a sintonizarem-se com uma das notas que nasceu do som Om, para a partir daí se sintonizarem à nota principal — a Alma. E os efeitos são fabulosos. Nada como experimentar!
Muitos acreditam que os benefícios são efetivamente sentidos quando o mantra é entoado 108 vezes, porque é aí que se entra em meditação, num estado alterado de consciência e, por conseguinte, no estado de Samadhi — Iluminação, União e Amor incondicional.
Se sentires vontade de reorganizar os sistemas de que és feito(a) e viver num entreTanto preenchido de Amor e Felicidade, poderás gostar de participar na Cerimónia do Som e do Silêncio que decorre a cada início de estação na nossa escola.
É um concerto meditativo com 7 taças de cristal de quartzo branco — cada taça corresponde a um chacra. É uma experiência sonora única de sintonização com a nossa Alma. Tal como a água se move, o Som adentra-se em nós e fica a reverberar o tempo necessário de modo a reorganizar cada pedacinho nosso.
Será um gosto ensinar-te a harmonizar a tua vibração interna através do Som e do Silêncio, para viveres em modo 3S: Sereno, Sincero e Sábio.
Ana
