O Ego: vilão ou herói de uma vida 3S?

Quando comecei a estudar Ioga, a primeira literatura que li defendia que o Ego era o vilão a eliminar, porque ele fazia o ser humano viver na ilusão de separação. Confesso que na altura não consegui compreender e distinguir muito bem a noção de Ego, de Mente, de Emoções e de Corpo.

Na minha perspetiva, muita dessa literatura era um pouco confusa e até incoerente nos conceitos e nas respetivas definições. Incoerência essa que era justificada pela particularidade do sânscrito, uma língua morta há milénios e, por isso, requeria um desafiante processo de tradução para línguas atuais, o que originava em adulterações da mensagem.

Perante tudo isto, eu senti necessidade de simplificar e resumir todos aqueles conceitos em três principais dimensões: o corpo, a mente e a alma.

Porém, não fiquei plenamente satisfeita e serena com esse meu resumo. Continuei a estudar e a pesquisar sobre o tema do Ego. Li as obras de vários especialistas da área. Estudei o trabalho desenvolvido por diferentes mestres e culturas. Fiz formação específica em neurociência, no âmbito da prática meditativa. Tentei entender a mente através da psicologia tradicional.

Mas, mesmo assim, sentia que o puzzle não estava completo.

Até que numa conversa à mesa entre amigos, um amigo disse: “Todas as histórias têm um vilão e um herói. O herói só é herói porque existe o vilão. O vilão só é vilão, porque existe o herói. E a mão que escreve a história do herói é exatamente a mesma mão que escreve a história do vilão”.

Naquele momento surgiu na minha tela mental: “Aqui está a resposta à minha inquietude.”

Deus, o escritor, é um só. E cada um de nós é, ao mesmo tempo, o escritor, o vilão, o herói, a história e o leitor.

Tal como na cosmovisão Samkhya, um dos sistemas filosóficos que eu estudei no âmbito do Ioga, este sentido de União é a base para viver em modo 3S no plano terreno. E quanto mais eu me permito ser e desempenhar todos estes papéis, mais sinto o meu Ego a pulsar e mais entendo a sua função em mim — amadurecer e tornar-se puro.

Quanto mais eu vivo nesta União, de uma forma natural, sem controlo, mais sinto que o Ego é fundamental na vida terrena. É ele que “pede” o amadurecimento das minhas emoções, o apaziguar da minha mente e a harmonia do meu corpo.

Hoje em dia, não vejo o Ego como Vilão a eliminar, nem tão pouco como o Herói a fortalecer. Esse é o segredo para viver com satisfação, alegria e entusiasmo, pois consigo observar com leveza as sincronicidades e os acasos da vida.

O Ego é aquele que acumula todas as vibrações e frequências de todas as experiências terrenas e não terrenas. É ele que consegue contar a minha história ao longo dos milénios e ciclos de existência.

É através do seu amadurecimento que vivo cada vez mais em Serenidade, Sinceridade e Sabedoria — neutralizo cada vibração que ficou em tensão e redescubro a minha capacidade de receber, de forma autónoma, independente, natural e orgânica, a informação enviada pela Alma.

Para isso, basta observar os meus automatismos internos — as emoções, a mente e o corpo físico a falarem comigo. Basta escolher fazer diferente. Basta escolher Amar. E amadurecer, passo a passo, dia a dia, no meu ritmo e no meu tempo. E, assim, sou a vilã e a heroína da minha própria história. E, ainda, a escritora e a leitora.

E, na tua história, o Ego é o Vilão ou o Herói?

Se te fizer sentido observar o amadurecimento do teu Ego e viver em modo 3S, num sistema de plenitude e de amor, poderás gostar de conhecer a Mentoria — Meditar para uma Vida 3S.

Ana

Nota: a ideia de Vilão e de Herói de uma história surgiu em conversa com o Pedro Elias. Podes conhecer o bonito trabalho do Pedro aqui.

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